Um blog sobre o filme e o livro A TURMA, obra central sobre a educação nos dias de hoje. Consulte-o regularmente para saber novidades sobre a estreia e o lançamento do livro.

Segunda-feira, 11 de Agosto de 2008
Cenas de luta na classe

in Público, 25 de Maio de 2008 / Vasco Câmara

 

É um toque de classe cinematográfica no final da competição da 61ª edição de Cannes: A TURMA, de Laurent Cantet. São cenas de luta na classe de uma escola parisiense, num filme que lança os dados de forma desassombrada (afinal, é um dos “temas do dia” a sala de aula) e original.
Baseado no livro de François Bégaudeau, antigo futebolista tornado professor que escreveu sobre a sua experiência dentro da sala, isto é, entre les murs, o filme foi trabalhado com verdadeiros alunos e professores, desafiados, durante um processo de ateliers no ano lectivo que precedeu a rodagem, a improvisarem a partir das personagens do livro - o próprio autor veio a ser o intérprete principal do filme, é o professor, alguém que, tal como acontece com os outros intérpretes, está suficientemente perto e suficientemente longe de si próprio.
Cantet (o realizador dos magníficos “Recursos Humanos” e “O Emprego do Tempo” - e do menos necessário “Vers le Sud”) explicava ontem em conferência de imprensa, que sempre quis fazer um filme sobre a escola, “o lugar onde se produz ideologia, onde se forma aquilo que vamos ser”. Mas tinha consciência da dificuldade, quase intransponível, em fazer-se passar por um rato pesquisador  que ali entrasse, invisível, para descodificar os laços que se estabelecem. O livro surgiu-lhe como testemunho de quem falava com autoridade porque falava de dentro daquelas paredes. E, sobretudo, escrito por alguém que não alinhava pela definição de escola como “santuário” - se a sociedade não é perfeita a escola também não o é. [...]
Aqui a classe não é um espaço de depuração de desigualdades, é, mas sem paternalismo, uma câmara de eco, um espaço - íamos escrever, e vamos escrever, “natural” - para o conflito. Por causa do sexo e da raça, por causa de desigualdades, da exclusão. E por causa da linguagem e da dificuldade em dominá-la. [...] 
O conflito em A TURMA é uma luta de palavras e por causa das palavras. Pormenor nada negligenciável: esse conflito é desencadeado por um deslize de um professor, alguém que estabelece uma relação directa, inteligente, desafiadora, com os seus alunos. É como se isso, o conflito, fosse inescapável entre aquelas paredes.
Entre outras coisas, A TURMA foi o melhor filme francês no concurso.



publicado por Midas Filmes às 15:57
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